Bangjja Yugi(방짜유기): a tigela dourada coreana ainda usada há mais de mil anos
Em restaurantes tradicionais coreanos, às vezes aparecem na mesa tigelas extremamente pesadas com um brilho dourado discreto.
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As pesadas tigelas douradas encontradas em restaurantes tradicionais coreanos
Em restaurantes tradicionais coreanos, às vezes aparecem na mesa tigelas extremamente pesadas com um brilho dourado discreto. Muitos estrangeiros pensam que são apenas peças decorativas. Na realidade, elas representam uma tradição coreana de metalurgia e artesanato que sobrevive há mais de mil anos.
O nome é Bangjja Yugi (방짜유기), uma louça coreana de bronze forjado que já foi usada nas mesas da corte real da dinastia Joseon e que hoje volta a aparecer em restaurantes modernos de alta gastronomia.
A proporção “inquebrável” — O segredo do 78 e 22
A principal característica do Bangjja Yugi está na composição da liga metálica: aproximadamente 78% de cobre e 22% de estanho.
O metal é aquecido acima de 1.200 °C e depois martelado repetidamente por vários artesãos trabalhando em ritmo sincronizado, em um processo chamado “jilmeok”. Diferente de peças comuns de bronze produzidas em moldes, o Bangjja Yugi é completamente forjado através de calor e martelagem.
Na metalurgia moderna, essa proporção normalmente é considerada frágil e difícil de forjar, motivo pelo qual o método mais comum costuma ser a fundição. Os artesãos do Bangjja Yugi, porém, utilizam tratamento térmico e martelagem contínua para criar um material que se torna ao mesmo tempo resistente e ligeiramente flexível.
O processo depende fortemente do som, da temperatura, do tempo e da sincronização humana, muito mais do que de máquinas automatizadas. Essa dependência da habilidade manual continua sendo uma das características mais marcantes dessa tradição.
A louça real que já foi usada para detectar veneno
Durante a dinastia Joseon, o Bangjja Yugi era amplamente utilizado pela família real e pela aristocracia não apenas pelo prestígio, mas também por razões práticas.
Segundo registros históricos, acreditava-se que a superfície da louça escurecia ao entrar em contato com substâncias tóxicas ou alimentos estragados. Por isso, ela era utilizada como uma espécie de detector de veneno nas mesas reais. Isso fazia parte das práticas reais da corte e não apenas de uma lenda popular. Ainda assim, a relação científica exata entre a mudança de cor e a presença de toxinas continua necessitando de verificação moderna.
Algumas propriedades modernas, porém, foram parcialmente confirmadas. Estudos e demonstrações relataram efeitos antibacterianos contra patógenos como E. coli O-157 e bactérias Vibrio após algumas horas. O material também possui excelente condução térmica.
Sopas permanecem quentes por mais tempo, enquanto pratos frios mantêm a temperatura baixa até o fim da refeição. Essa combinação de funcionalidade e artesanato ajuda a explicar por que essa louça sobreviveu nas mesas coreanas durante séculos, mesmo após o surgimento do aço inoxidável e do plástico.
Da culinária real aos restaurantes estrelados Michelin
Ainda hoje, o Bangjja Yugi é bastante utilizado em restaurantes coreanos de alto padrão. Seu peso e seu tom dourado discreto são associados à elegância e sofisticação.
Nos últimos anos, também surgiram relatos de Bangjja Yugi sendo usado em restaurantes com estrelas Michelin em cidades como Nova York e Paris. Muitos chefs se interessam pelo contraste visual criado quando pratos modernos da culinária ocidental são servidos em louças tradicionais coreanas de bronze.
O som produzido pelas peças também vem chamando atenção. Quando levemente golpeadas, elas produzem uma ressonância clara e prolongada que algumas pessoas comparam aos “singing bowls” utilizados em práticas de meditação.
Os artesãos que continuam mantendo a tradição viva
O Bangjja Yugi continua extremamente difícil de produzir em larga escala. Sua fabricação exige artesãos experientes, trabalho físico intenso e longos períodos de produção.
Atualmente, oficinas tradicionais sobrevivem principalmente em partes de Chungcheongnam-do e em alguns ateliês especializados espalhados pela Coreia. No bairro de Insadong, em Seul, visitantes ainda podem ver e tocar peças autênticas de Bangjja Yugi.
Nos últimos anos, a tradição também começou a se expandir para designs contemporâneos. Hoje existem copos de bronze, tigelas de sobremesa, utensílios para cafés e objetos minimalistas de decoração voltados para gerações mais jovens.
O que começou como louça da realeza transformou-se gradualmente em um objeto de luxo, design e um exemplo vivo da metalurgia tradicional coreana.